
Na Semana do Dia Internacional da Mulher, a Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares (ITEP/UENF) comemora a versão contrária do modelo tradicional capitalista: o protagonismo de mulheres com mais de 50 anos. Das cerca de mil pessoas que já participaram em 2025 dos Fóruns de Campos e das Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de janeiro e dos 428 inscritos na ITEP, setor onde recebem capacitação técnica e são direcionados para cursos de formações, 87,62 % são mulheres com idades acima dos 50 anos.
A (ITEP) é um programa institucional da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) que atua na incubação de empreendimentos cooperativos e autogestionários baseados na Economia Solidária — um novo modelo econômico discutido mundialmente e especialmente no Brasil. Pessoas excluídas do modelo capitalista, como mulheres, são a maior parte dos membros deste grupo. De acordo com o economista, professor e escritor Paul Singer, a economia solidária é uma arma poderosa de equidade para produzir, comercializar e comprar, “mas ela só existe com a prática da solidariedade”.
Com base nos conceitos de Singer, o Projeto Rede de Economia Solidária da (ITEP/UENF) oferece capacitação técnica, cursos, eventos, entre outras oportunidades aos trabalhadores das sete redes que compõem o projeto. As pessoas interessadas podem se capacitar, aprimorar suas habilidades e adquirir competências para comercializar seus produtos de forma individual e coletiva. Para muitas, além da oportunidade de aprender coisas novas, as atividades também são terapêuticas.
A ex-bibliotecária, aposentada da Aeronáutica, Ana Maria Marques Machado, de 67 anos, ressaltou que foi nos cursos da ITEP que ela se reinventou e passou a fazer crochê como terapia e renda extra.
— Estava passando por momentos muito difíceis na minha vida, mas os cursos da ITEP me ajudaram a superar. Me sinto muito feliz aqui — diz.
A costureira Maria Helena Silva Rodrigues, de 81 anos, fez cursos de crochê, bordado e artesanato. Atualmente, atua no Circuito, constituído de feiras realizadas em espaços públicos e privados da cidade e municípios vizinhos.
— Trabalhei durante muito tempo em fábricas e confecções. Aposentei aos 60 anos. Como não consegui parar de trabalhar, me inscrevi nos cursos da UENF. Desde que cheguei aqui, fui acolhida com muito carinho. Gostei muito da universidade por isso estou aqui até hoje. Não consigo mais vir nas aulas, mas trabalho nas feiras vendendo meus artesanatos. É muito importante, na minha idade, ter atividades para fazer — afirma.
A costureira e artesã Enilza Ribeiro Gomes, de 83 anos, também se orgulha de poder trabalhar apesar da sua idade. A trajetória dela nas atividades da ITEP já soma cerca de 20 anos.
— A universidade tem uma importância grandiosa na minha vida. Cheguei na ITEP antes de 2006. Fui uma das primeiras alunas do projeto. Fiz cursos de fuxico, crochê, bordados. Depois dei aulas. Hoje só consigo participar das feiras, mas quando acontecem durante o dia. Mesmo assim, me sinto feliz por continuar trabalhando, ocupando meu tempo e fazendo atividades que eu gosto — diz.
(Jornalista: Carla Rúbia – ITEP/UENF)



