Especialista em Inovação Social ministra palestra na Semana de Integração dos Novos Servidores

Júlio Ledo

Como parte da programação da  Semana de Integração dos Novos Servidores da UENF, foi realizada na manhã desta terça-feira, 02/06/26, a palestra “Cheguei. E Agora?”. O palestrante foi o educador Julio Ledo, especialista em Inovação Socioambiental e Humana, Negócios de Impacto e Desenvolvimento Territorial.

— Eu queria fazer um convite a vocês nessa chegada aqui. Que vocês entendessem que territórios são formados por pessoas. Esse território chamado UENF não é apenas uma estrutura física. É um portal de transformação — disse.

Engenheiro de formação que há 30 anos abandonou a profissão para conhecer o mundo, Júlio disse que os servidores são a voz, a essência, a alma, o coração e a força motora da  universidade — um espaço onde a resistência, a persistência e a valorização dos resgates dos sonhos é mais potente.

— Quero pedir que olhem um pouquinho mais do que com os olhos. O que os nossos olhos veem é tão pouco, tão superficial. A gente é carregado de pré-conceitos — no sentido de conceitos pré-estabelecidos. É muito importante que a gente olhe muito além do que os nossos olhos estão vendo — afirmou.

Durante a palestra, ele falou sobre sua trajetória pessoal e profissional. Contou que, pertencendo a uma família de classe média de Recife, formou-se engenheiro e obteve uma vaga  em uma grande empreiteira, mas após passar por um “choque de realidade” — ao conhecer uma favela — acabou abandonando a profissão para viajar pelo mundo.

— Passei cinco anos viajando, percorri toda a América Latina, Central, do Norte, África, Europa, Ásia. Fazia todo tipo de serviço para ter minha sustentabilidade financeira, mas meu propósito era ajudar as pessoas a saírem de regimes de abuso e que eu fosse aprendendo com elas como se dá a transformação social — disse.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele conheceu a primeira dama, a socióloga Ruth de Souza. Vendo o seu trabalho na área de inovação social, ela o convidou para participar do programa Comunidade Solidária.

— Eu era o único que não era sociólogo. Eu era o engenheiro que deu errado. Mas eu tinha uma coisa que poucas pessoas tinham: experiência no mundo real. Foram cinco anos vivendo em comunidades ao redor do mundo, entendendo como aquelas pessoas promoviam transformações sociais em seus territórios — disse ele, que chegou a gerente nacional do programa Comunidade Solidária.

Citando um livro do velejador brasileiro Almyr Klink, ele falou sobre a importância de viajar, não apenas no sentido literal. Segundo afirmou, a viagem pode começar dentro da própria Universidade, a partir da troca de experiências.

— Essa viagem começa também quando a gente  rompe os muros da universidade e ingressa  na comunidade. Quando a gente entende que a  universidade não só gera transformação social para quem está dentro,  mas em todo um território.  E se expande. Essa viagem começa  quando a gente para de olhar para o nosso próprio umbigo e começa a entender a beleza e a riqueza  que é o mundo real.  E nessas viagens eu me desconstruí e me reconstruí diversas vezes — disse.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: Clara Freitas – ASCOM / UENF)

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