Pesquisador da UENF desenvolve startup com soluções biotecnológicas para produção de cafés especiais

Segunda reportagem da série “Empresas ‘filhas’ da UENF: da pesquisa ao mercado”, com CEO da Aroma Biotech, Walaci Santos

Walaci Santos

Na segunda reportagem da série “Empresas ‘filhas’ da UENF: da pesquisa ao mercado”, ouvimos o CEO da Aroma Biotech, Walaci Santos, que fez toda sua carreira acadêmica na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), desde a licenciatura em Ciências Biológicas, passando pelo mestrado, até o doutorado, ambos em Biotecnologia Vegetal.

Na UENF, incentivado pelas aulas de empreendedorismo do professor Gonçalo Apolinário, Walaci começou a desenvolver a pesquisa para seu primeiro negócio, em um momento inicial com a produção e comercialização do Café Verde Forquilha, que foi um sucesso nos congressos CONFICT (Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica) e CONPG (Congresso Fluminense de Pós-Graduação) de 2024.

Originário de uma família de produtores de Café no estado do Espírito Santo, Walaci contou como a nova startup surgiu nas etapas de produção de café.

— Percebi que havia algo que a biotecnologia poderia ajudar. Uma etapa importante para obter café de qualidade é o processo de fermentação, que os produtores fazem muitas vezes sem um fermento próprio para café, além disso percebi que no processo de secagem surgia muito mofo e que isso prejudicava a qualidade da bebida. Tendo em vista que esse problema não era só meu, mas de todos os produtores de café de qualidade, surgiu a ideia da startup com soluções biotecnológicas para produção de cafés especiais — destacou.

Produto da Aroma Biotech

O pesquisador da UENF informou que tem uma parceria com o Laboratório de Biotecnologia (LBT) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) da UENF para a produção de bioinsumos a partir microrganismos benéficos, em especial leveduras selecionadas, que atuam em etapas estratégicas do pós-colheita.

— A Aroma Biotech desenvolve soluções biotecnológicas voltadas para a melhoria da qualidade de cafés especiais, com potencial de aplicação futura também em outras culturas, como cacau e uva — projetou.

O CEO da Aroma Biotech, realçou que, entre as soluções desenvolvidas por sua startup, estão microrganismos voltados à fermentação controlada, buscando melhorar e padronizar a qualidade sensorial da bebida, e bioinsumos para o controle de fungos indesejáveis durante a secagem dos frutos, contribuindo para a redução de contaminações e perdas de qualidade.

Em seguida, Walaci falou sobre a inovação da Aroma Biotech na utilização estratégica da biodiversidade microbiana como ferramenta para agregar qualidade e valor à produção agrícola.

— Buscamos microrganismos com potencial biotecnológico, incluindo aqueles naturalmente associados aos frutos e aos ambientes de produção, avaliamos suas características em laboratório e selecionamos os mais promissores para aplicação no pós-colheita. Dessa forma, transformamos conhecimento científico em soluções biológicas aplicáveis no campo — observou.

Produzido em parceria com o LBT/CBB/UENF

Segundo o pesquisador, a proposta da Aroma Biotech é proporcionar aos produtores maior controle sobre processos que, muitas vezes, ocorrem de maneira espontânea e pouco previsível.

— Ao utilizar microrganismos selecionados na fermentação e no biocontrole, buscamos reduzir riscos de contaminação, aumentar a consistência entre os lotes e potencializar características sensoriais desejáveis, contribuindo para que o produtor obtenha um produto final de maior qualidade e valor agregado — comentou.

Para Walaci, o objetivo de sua startup é utilizar a biotecnologia para transformar qualidade em valor para o produtor.

— Queremos desenvolver soluções sustentáveis e acessíveis que auxiliem produtores de café a alcançar maior controle e previsibilidade no pós-colheita, reduzindo perdas e ampliando as oportunidades de acesso a mercados de maior valor agregado — disse.

Ainda de acordo com o CEO, a visão da Aroma Biotech é construir uma ponte entre ciência, laboratório e campo, trabalhando em parceria com produtores para desenvolver e validar tecnologias que atendam às necessidades reais da cadeia produtiva.

— A partir do café, buscamos consolidar um modelo de inovação escalável, com potencial de expansão para diferentes regiões produtoras do Brasil e, futuramente, para outras culturas de alto valor, como o cacau. Assim, a Aroma Biotech pretende contribuir para uma agricultura mais tecnológica, sustentável e competitiva, valorizando tanto a biodiversidade quanto o trabalho de quem produz — ressaltou.

Por fim, o pesquisador informou que participa até 31/08/26 da primeira fase do programa Doutor Empreendedor da FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Em contrapartida, Walaci confirmou à reportagem que a Aroma Biotech será residente no Parque Tecnológico Agropecuário (PARTEC Agro), sediado no campus Antônio Sarlo da UENF, onde serão instaladas 11 startups aprovadas no processo seletivo da Agência de Inovação da UENF (AgiUENF).

Saiba mais no link a seguir: https://www.instagram.com/aromabiotech/

(Jornalista: Wesley Machado — Fotos: Divulgação — ASCOM UENF)

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