Quarta reportagem da série “Empresas ‘filhas’ da UENF: da pesquisa ao mercado”

Na quarta reportagem da série “Empresas ‘filhas’ da UENF: da pesquisa ao mercado”, vamos conhecer o empreendimento do egresso do curso de Zootecnia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), João Vitor Manhães, que se considera um “PIOU”, mistura de Pião com CEO.
O campista, após se formar na UENF em 2015, percorreu do Nordeste ao Sul do Brasil para fazer sua pós-graduação (mestrado e doutorado), mas voltou há exatos seis anos, em agosto de 2020, para São Martinho, localidade da Baixada Campista, para montar, ainda sem recursos, sua piscicultura ornamental, que depois se tornaria a startup Peixes Goytacá, nome que faz referência ao índio nativo de Campos dos Goytacazes, na região norte fluminense.
Viajado, o egresso da UENF retornou à cidade natal e começou a buscar recursos para criar um negócio próprio no interior do interior do estado.
“Fui em uma palestra do professor Henrique da Hora na UENF sobre o edital de Doutor Empreendedor da FAPERJ, submeti um projeto, passei na edição 2022 do Doutor Empreendedor, consegui recurso e comecei a estruturar realmente a minha piscicultura. E de lá pra cá foi que houve realmente a revolução da Peixes Goytacá”, relembra João Vitor.
Startup Peixes Goytacá projeta inovações tecnológicas com recursos de programas de empreendedorismo da FAPERJ
O empresário em ascensão agora projeta a implantação de inovações tecnológicas com o projeto Peixes Goytacá 4.0, no qual a startup foi contemplada em 2025 na fase 2 do programa Pesquisador na Empresa, também da FAPERJ. Em 2022 a startup já havia sido selecionada na fase 1 do mesmo programa.
Entre as inovações tecnológicas da Peixes Goytacá, está uma estufa com 36 tanques para criação de peixes em temperatura controlada, alimentação automática e sistema de tratamento (recirculação e oxigenação) de água.
Ainda segundo o “PIOU”, um gargalo muito grande para peixe ornamental são as rações.
“Neste projeto conseguimos um maquinário para fazer ração. Então vamos fazer a nossa própria ração para nossos peixes. É difícil conseguir ração para peixe ornamental com um preço acessível. Então a gente tem esse gargalo”, informa João Vitor.
Ele anuncia mais inovações da startup, como um site com e-commerce interativo para o cliente final.
“Antes só trabalhávamos com B2B (de empresa para empresa), vendendo para lojista, atacadista e exportador. Agora vamos fazer as filmagens dos peixes, automatizadas com IA, e o cliente vai poder escolher o peixe de maneira atualizada em tempo real”, revela João Vitor.

Empresa do “PIOU” João Vitor Manhães comercializa peixes ornamentais nativos do Brasil
Na Peixes Goytacá, são comercializados peixes ornamentais nativos do Brasil. Também conhecido como “Pezão”, o “PIOU” João Vitor Manhães explica que consegue as matrizes (peixes adultos utilizados para a reprodução) e desenvolve os protocolos de reprodução e produção em cativeiro para depois comercializar os peixes. São mais de 35 espécies de vários biomas brasileiros, como a Região Amazônica, Pantanal e Mata Atlântica.
Entre as espécies comercializadas pela startup Peixes Goytacá estão espécies exóticas, como Acará eletric blue, Botia palhaço e Guppy; e as seguintes espécies nativas: Cascudo tigre tangerina, Cascudo Tigre Sangue, Acará Disco, Acará Bandeira, Puxa Puxa, Neon Negro, Mato Grossi Véu, Tetra Tucano, Notidanos Yellow, Corydora Esmeralda, Corydora Albina, Acará Balzani, Acará, Acará Bandeira, Acará Severo, Acará Cupido e Mini Orca, entre outras.
João Vitor conta que o gosto por piscicultura surgiu desde criança, quando ele iniciou a criação e até mesmo a comercialização de peixes. Depois, no início do ensino médio, conseguiu um estágio na UENF com o professor Manuel Vasquez, que pesquisa aquicultura. O jovem passou a buscar informação em leituras sobre criação de peixes. E, logo no início da graduação em Zootecnia, o estudante foi inserido no laboratório de peixes ornamentais, onde trabalhou com o orientador Manuel Vasquez durante todo o curso de Zootecnia na UENF.
João destaca que, na época da graduação na UENF, aprendeu o máximo que podia, mas quis sair de sua zona de conforto, aprender mais sobre piscicultura, e foi para a Bahia, onde concluiu o mestrado em Ciência Animal, trabalhando com nutrição de peixes amazônicos, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Também foi para Santa Catarina, onde concluiu o doutorado em Aquicultura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), trabalhando com reprodução de peixes marinhos.

Desenvolvimento do trabalho no Parque Tecnológico Agropecuário (ParTecAgro) Johanna Döbereiner
Ele detalha a fase atual da startup, de desenvolvimento do trabalho junto ao Parque Tecnológico Agropecuário (ParTecAgro) Johanna Döbereiner, instalado no Colégio de Aplicação
— A UENF é uma grande parceira. Desde que eu voltei a Campos, tenho apoio de vários professores da universidade, como Gonçalo Apolinário, Manuel Vazquez. Toda a universidade sempre foi muito parceira. Me ajuda muito como ex-aluno neste apoio para desenvolver o projeto —, afirma João Vitor.
Segundo o empresário, a expectativa com o Partec Agro é muito grande.
— O Partec Agro, com certeza, vai ser um divisor de águas, tanto na convivência, o networking que a gente vai ter lá dentro, quanto nas oportunidades. A ideia é refinar também essa parceria com a UENF e buscar desenvolver algo mais contundente junto à universidade. Então, eu estou com bastante expectativa — declara João Vitor.
Para mais informações, acesse os links abaixo:
https://www.instagram.com/partecagro
https://www.instagram.com/peixes_goytaca
(Jornalista: Wesley Machado — Fotos: Divulgação — Ascom/UENF)



