Em entrevista à Rádio UENF 87.1 FM, Eduardo Hypolito demonstrou que não é preciso ir tão longe para produzir audiovisual com qualidade

“Tudo pode ser uma cena. Tudo pode ser um filme”. Estas falas foram escritas pelo cineasta e roteirista campista Eduardo Hypolito para o seu filme mais recente, o média-metragem “Título Provisório”, ainda inédito. A obra é uma homenagem ao cinema e à cultura pop por meio de várias referências, desde clássicos mais antigos, como “Cantando na Chuva” a sucessos de bilheteria, tal qual “Rocky”, passando pelo brasileiro “O auto da compadecida”, além de clipes históricos, a exemplo da música “Put Your Records On”, da Corinne Bailey Rae.
Em “Título Provisório”, os cineastas Clara (Clara de Sá), Julia (Julia Assis) e Peterson (Peterson Feroli), frustrados com o trabalho no mercado audiovisual, decidem fazer um filme próprio. Enquanto não estreia esta nova produção realizada com equipe toda de Campos dos Goytacazes, o público pode assistir na Amazon Prime Video ao curta-metragem “Anti Amor”, comédia romântica premiada, estrelada pelos atores Lucas Machado, Clara Abreu e Rodri Mendes. Ambos os filmes foram realizados com recursos da Lei Paulo Gustavo, captados junto à Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.

Em entrevista ao quadro “Bom Dia UENF Entrevista”, da Rádio UENF 87.1 FM, Eduardo Hypolito lembrou tudo que fez e demonstrou que não é preciso ir tão longe para produzir filmes de qualidade, que arrepiem, emocionem e divirtam as pessoas. E ainda mais: os filmes do cineasta e roteirista campista têm locações na planície goytacá, como na própria UENF, Casa de Cultura Villa Maria, Palácio Nilo Peçanha, Jardim São Benedito, Cais da Lapa e Santa Paciência Casa Criativa, entre outros lugares em que o campista se reconhece.
Aos 31 anos e com mais de 50 trabalhos dirigidos, Eduardo Hypolito é um dos profissionais de audiovisual mais requisitados de Campos
Aos 31 anos, Eduardo Hypolito tem mais de 50 trabalhos dirigidos e uma respeitada carreira, tendo se tornado um dos profissionais de audiovisual mais requisitados de Campos. Além de “Anti Amor” e “Título Provisório”, dirigiu outras obras financiadas com recursos da Lei Paulo Gustavo, como um documentário sobre um projeto de jazz nas escolas e em locais públicos de Campos, um curta-metragem de São João da Barra sobre violência com pessoas trans e clipes da cantora Mariana Soares e do cantor e compositor Matheus Nicolau, este último que é autor, em parceria com o próprio Eduardo Hypolito e Matheus Freitas, da música autoral “Tão longe”, interpretada pela atriz e cantora Julia Assis e tema do filme “Título Provisório”.
Segundo o cineasta e roteirista campista, tem filme que não seria feito se não tivesse sido a Lei Paulo Gustavo, que ofereceu mais condições de se fazer cinema.
— Isso é o que me deixa mais feliz, saber que, se não fosse essa lei de incentivo, a gente não teria tantos filmes, tantas pessoas dizendo coisas e acho que, como forma de arte, cultura, manifestação, liberdade, expressão, você ter pessoas aptas a produzir uma coisa que fala com elas e fala com outras pessoas é o que mais importa felizmente. Com isso a gente conseguiu ter essas vozes dizendo mais — afirmou.
Para Eduardo Hypolito é parte de um edital desse também valorizar a cidade.
— A gente é fruto da cidade que a gente está também, então aquela cidade molda o nosso jeito de falar, o nosso jeito de estar, o nosso jeito de se vestir. Quando você tem essa possibilidade de mostrar a sua cidade, mostrar como que aquela história se desenvolve naquela cidade, então quando você consegue adaptar isso e colocar isso dentro de uma história, fica uma história muito mais pessoal, fica uma história muito mais a nossa cara e eu acho que essa é a maior a maior função de você conseguir incluir a cidade assim — ressaltou.
Cineasta e roteirista campista informou que entrou no ar agora no segundo semestre de 2026 a série “Até Aí Tudo Bem”, escrita e dirigida por ele
Enquanto a fama nacional e internacional não chega, mesmo que não esteja tão longe assim, Eduardo Hypolito vai, de ação em ação, cortes e cortes, construindo uma carreira sólida, contando histórias em que acredita. E ainda não é tudo. Membro efetivo da Associação Brasileira de Cinematografia desde 2024, o cineasta e roteirista campista informou que entrou no ar agora no segundo semestre de 2026 a série “Até Aí Tudo Bem”, escrita e dirigida por ele e disponível nos perfis de Eduardo Hypolito no You Tube e no Instagram. Ele anunciou ainda que seus novos projetos serão um filme de terror com uma lenda local e projeto de um longa sobre o Ururau da Lapa, que será um suspense investigativo.
— Quero trazer Campos dos Goytacazes para formatos diferentes. A gente fez comédia, estamos fazendo terror. Depois vamos dar uma pausa, inclusive na série, e vamos rodar o primeiro longa de Campos. Só em fazer já é uma vitória. Porém com mais apoio, mais preparação, mais base, a gente consegue ir mais longe — raciocinou.
Por fim, Eduardo Hypolito manifestou o desejo de que Campos tenha uma formação profissional.
— Acho que é legal você formar pessoas e dar base para elas, para elas poderem aprender, se identificar como produtores e como artistas. E que a gente consiga ter mais conteúdo feito aqui e de diferentes formas e por vozes diferentes. Com temáticas importantes ou simplesmente por produzir arte, também é importante — declarou.

A fala de Eduardo vai ao encontro da fala da personagem Clara, interpretada pela atriz Clara de Sá, que diz no filme “Título Provisório”: “só em a gente estar fazendo o que a gente gosta, fazendo cinema, fazendo arte, esta conversa já é boa, isso já dava um filme”. E deu. Não só um, mas muito mais que isso tudo. São vários filmes genuinamente campistas, com boas e interessantes histórias que, como o próprio Eduardo comentou nesta entrevista, ele gostaria de ver, e com um final que vale o tempo das pessoas, que saem destes finais de filmes felizes e de volta à suas vidas normais, conforme explicou o personagem Peterson, interpretado pelo ator Peterson Feroli, também em “Título Provisório”.
A entrevista foi ao ar na sexta-feira, 18/09/26, na Rádio UENF 87.1FM. E em breve estará disponível em formato de podcast no Spotify.
Serviço – O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras na Rádio UENF 87.1FM, com direção geral de Vitor Sendra, produção e roteiro de Giovanna Toledo, Geovanna Cavoli, Giovana Velasco e Tatiana Freire; Thiago Henriques no suporte técnico e na cobertura para as redes sociais: Lívia Guimenes, Raquel Carvalho e Giulia Maia.
A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM do Dial, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=hoostcomv2.oawghldq).
A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.
Siga a Rádio UENF no Instagram (https://www.instagram.com/radiouenf/).
(Jornalista: Wesley Machado — Foto: Lívia Guimenes — Ascom/UENF)



