
A proliferação das fake news tem contribuído para uma revalorização do jornalismo, que nos últimos anos vinha sendo descredibilizado. É o que acredita o jornalista e professor do curso de Jornalismo da Uniflu Vitor Menezes, que foi entrevistado na última quarta-feira, 19/08/26, no Programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’, transmitido pela Rádio UENF 87,1 FM.
Doutor em Cognição e Linguagem pela UENF, Vitor Menezes disse que, diante do uso inadequado das redes sociais, a profissão de jornalista vem sendo repensada pelos próprios veículos de comunicação e entidades ligadas ao jornalismo. Está em discussão, por exemplo, a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
— O jornalismo tem essa contribuição de estar dentro de um ambiente institucional, profissional, com balizas éticas, rigores, um lugar onde você pode bater na porta e cobrar alguma coisa, no sentido de conferir mais rigor àquilo que informa. E que, mais que nunca, é essencial nos nossos dias — afirmou.
Menezes afirmou que durante muito tempo, uma das lutas antigas dos jornalistas foi direcionada à quebra dos oligopólios de comunicação, a desconcentração da comunicação, de forma a ampliar as vozes.
— Este novo ambiente digital, na verdade, era um cenário extremamente sonhado. Durante muito tempo todos aqueles democratas, aqueles que defendiam a pluralidade, lutaram pela quebra dos oligopólios da comunicação. Agora, há o efeito colateral quando você começa a ter uma amplitude enorme de possibilidades, de mal uso dessas ferramentas e das possibilidades de informação — disse.
Analisando os mecanismos cognitivos que tornam as Fake News tão populares, ele disse que algumas pesquisas apresentam um elemento fundamental nesta questão: o viés da confirmação.
— É muito comum que as pessoas, ao se depararem com determinado conteúdo nas redes, uma vez concordando com aquilo, seja por motivos pessoais, ideológicos, religiosos, políticos etc, tendem a acreditar naquilo que já acreditavam, independentemente de ser verdade ou não — disse.
Menezes ressaltou que o processo de revalorização do jornalismo deve ser acompanhado por melhores condições de trabalho, salário e segurança contratual.
— Quem está ouvindo pode achar que isso é só papo de sindicalista defendendo a classe, mas não é só isso. É preciso oferecer condições para o exercício de uma profissão que é essencial para a democracia, para a vida das pessoas, para o modo como elas se organizam em sociedade — disse.
Bom Dia UENF Entrevista é um quadro dedicado a conversas com pesquisadores, estudantes, profissionais, artistas e convidados que compartilham projetos, pesquisas, eventos e iniciativas da UENF. O espaço aproxima o público da produção acadêmica e cultural, promovendo o diálogo entre ciência, cultura e sociedade. O Programa vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, de 11h às 12h.
A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM do Dial, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android. A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.
Equipe:
Locutor: Giu de Souza / Produção: Giovanna Toledo, Geovanna Cavoli e Thábata Ferreira / Suporte técnico: Thiago Henriques / Cobertura para redes sociais, fotos e vídeos: Lívia Guimenes, Raquel Carvalho, João Marcos Félix e Giulia Maia.
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