Lançado na Casa de Cultura Villa Maria, o livro aborda a pandemia de Covid-19 e a necessidade de preparação para futuras emergências sanitárias e ambientais

Em Campos para o lançamento de seu livro “Ainda há Tempo — a pandemia de Covid-19 e a transformação do futuro“, a professora e sanitarista Nísia Trindade, da Fiocruz, esteve na UENF na manhã desta terça-feira, 23/06/26. Ela foi recebida pela reitora em exercício, Maria Cristina Canella, em seu gabinete,e, em seguida, concedeu entrevista à Rádio UENF 87,1 FM. No final da tarde, Nísia fez o lançamento do livro na Casa de Cultura Villa Maria.
Ministra da Saúde entre 2023 e 2025, Nísia disse que o objetivo do livro é resgatar a história da pandemia a partir de sua vivência como gestora da Fiocruz — ela foi a primeira mulher a presidir a instituição.
Ela afirmou que a Fiocruz é o principal instituto de ciência e tecnologia na saúde e cumpriu um papel extraordinário na pandemia, porém insuficiente, devido à falta de políticas públicas para proteger a população e reduzir os impactos.
— O Brasil perdeu 715 mil pessoas na pandemia, e isso não condiz com um país que tem o SUS. Tivemos um resultado mais trágico que países com condições socioeconômicas e capacidade científica e de sistema de saúde inferiores — disse.
Segundo Nísia, o título do livro reflete a necessidade de ir além da memória da pandemia. É fundamental, segundo ela, que o país se prepare para futuras emergências climáticas e sanitárias.
Segundo a cientista, o livro mostra os desafios de liderar a Fiocruz durante a pandemia.
— É difícil falar de uma experiência tão traumática. Estar presidindo a Fiocruz me deu força para coordenar os trabalhos, mobilizar toda a competência em benefício da sociedade, para que o enfrentamento gerasse o maior número de vidas salvas. Esse foi nosso mote e ação — afirmou.
Segundo Nísia, o país precisa avançar no acordo sobre pandemias que foi aprovado em 2025 em uma assembleia nacional da saúde. Pela primeira vez, tratou-se da necessidade de recursos públicos para a ciência, garantindo à população o acesso às tecnologias necessárias para o enfrentamento de emergências.
Ela ressaltou que faltou aprovar o complemento a esse acordo, o qual estabelece o compartilhamento dos benefícios tecnológicos, o que não ocorreu na pandemia. Dez países concentraram 75% das doses de vacinas aplicadas em todo o mundo.
— Numa emergência, a vacinação tem que ser feita de forma célere. O Brasil tinha uma experiência muito sólida, mas infelizmente o negacionismo científico, que se tornou uma política de governo, afetou também a nossa capacidade de resposta com a vacina — disse.
Nísia afirmou que é preciso agir de acordo com a agenda aprovada na COP30, segundo a qual existem implicações entre a agenda ambiental e sanitária, seja através do surgimento de novas doenças ou na mudança do padrão daquelas já existentes.
— É importante agir sobre os determinantes socioambientais que estão na origem das emergências sanitárias, como condições de moradia, saneamento, questões ambientais, redução da emissão de carbono — afirmou.
(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: Anna Letícia Bila – ASCOM/UENF)



