Ciência, longevidade e qualidade de vida: pesquisadoras da UENF destacam avanços científicos que transformaram o envelhecimento humano

Estudos e debates realizados durante congressos na Universidade mostram como a ciência ampliou a expectativa de vida e reforçam a importância de políticas públicas para uma sociedade cada vez mais longeva

Rosalee Istoe

O aumento da expectativa de vida é uma das maiores transformações sociais promovidas pelo avanço científico nos últimos séculos. O desenvolvimento de vacinas, medicamentos, tecnologias médicas e políticas de prevenção modificou o perfil da população mundial e trouxe um novo desafio: como garantir que mais anos de vida sejam acompanhados de saúde, autonomia e participação social.

O debate reuniu pesquisadores, profissionais de saúde e estudantes na abertura do I Congresso Interdisciplinar Regional de Longevidade e Envelhecimento Humano (LongeViver 2026) e IV Congresso de Atualização em Saúde, Longevidade e Envelhecimento Humano (CONASEH), que está sendo realizado até esta sexta-feira, 31/07/26, no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Para a professora da UENF Rosalee Istoe, pesquisadora da área de longevidade há 25 anos, a ampliação da vida humana está diretamente relacionada às conquistas acumuladas pela ciência, especialmente a partir da segunda metade do século XX.

Segundo ela, o controle de grandes epidemias, a criação de novas vacinas e o desenvolvimento de medicamentos mais eficientes foram decisivos para que milhões de pessoas pudessem alcançar idades mais avançadas.

“A partir da década de 1960, com o combate às grandes epidemias, a descoberta de novos medicamentos e novas vacinas, conseguimos viver de forma longeva”, afirmou a pesquisadora.

Rosalee também chama atenção para um ponto fundamental nos estudos sobre envelhecimento: viver mais precisa estar associado à qualidade de vida. Para ela, a longevidade envolve fatores genéticos, cuidados com a saúde, ambiente social e oportunidades de participação.

Ao citar o próprio pai, que aos 93 anos mantém autonomia e disposição, a professora destacou a relação entre envelhecimento saudável e capacidade cognitiva.

“Meu pai tem 93 anos, eu olho para ele e digo: eu quero este DNA. Eu quero viver com essa cabeça”, contou.

— Meu pai tem 93 anos, eu olho para ele e digo assim, eu quero este DNA. Eu quero viver com essa cabeça — disse Rosalee.

Para a pró-reitora de Extensão da UENF, Deborah Guerra Barroso, com a idade vem a sabedoria.

— E a sabedoria é uma diferenciação, uma saúde mental, que faz a gente conseguir passar por muitas coisas, às vezes, que afligem tanto as pessoas mais jovens — considerou Deborah.

Deborah destacou ainda que é graças à ciência que a sociedade passou de uma época, em um passado não tão longínquo, em que a média de vida era de 40 anos, para hoje, quando a média de vida é quase o dobro, de 73,3 anos para homens e 79,9 anos para mulheres no Brasil, estatística confirmada pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PPGPS), professora Joseane de Souza.

Ainda segundo Rosalee, a partir da década de 1960, com o combate às grandes epidemias e a descoberta de novos medicamentos e novas vacinas, conseguiu-se viver de forma longeva.

— Temos de aproveitar o avanço da ciência e o aumento da expectativa de vida para os nossos futuros gestores traçarem políticas públicas para uma população que tende a se tornar cada vez mais longeva. Que estas políticas públicas, que vêm extinguindo barreiras, abram portas e tragam a oportunidade de uma vida melhor — afirmou a professora da UENF.

Maria Cristina Canela

A reitora em exercício da UENF, Maria Cristina Canela, parabenizou a equipe organizadora pelo evento, elogiou o projeto da UNATI, que movimenta a UENF, e convidou os alunos da UNATI a também pensarem em fazer uma pós-graduação.

— Já que a ciência nos dá oportunidade, melhorou muito a nossa qualidade de vida , por que a gente não continua vivendo e muito bem? Então, vamos aproveitar cada momento e pensar que não temos limite — afirmou a professora Maria Cristina Canela.

Joseane de Souza, Deborah Guerra, Eliana Crispim, Maria Cristina Canela e Rosalee Istoe

As declarações foram proferidas no I Congresso Interdisciplinar Regional de Longevidade e Envelhecimento Humano (LongeViver 2026) e no IV Congresso de Atualização em Saúde, Longevidade e Envelhecimento Humano (CONASEH). Os eventos científicos foram abertos nesta quarta-feira, 29/07/26, no auditório principal do Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Em um momento de descontração, na abertura pontual do evento, houve a apresentação da Orquestra de Violões da UNATI, regida pela professora Ana Clara Torres. Os alunos executaram clássicos da MPB em ritmo de samba, como “Naquela mesa”, “Não deixe o samba morrer”, “Trem das Onze”, “Maracangalha”, “Samba da minha terra”, “Cidade Maravilhosa”, “Tristeza” e “Conselho”.

Ana Rachel Pourbaix, Nélia Fonseca e Kamilly Farah

Também nesta quarta-feira, 29/07/26, em um segundo momento, foi realizada a mesa-redonda com o tema “Envelhecimento humano e interdisciplinaridade: interfaces da longevidade”, com mediação da professora e palestrante Ana Rachel Pourbaix; e apresentações da psicóloga e psicanalista Nélia Fonseca; da médica geriatra Kamilly Farah; e da professora da UENF Joseane de Souza.

Ainda na quarta-feira, 29/07/26, mais uma mesa-redonda, desta vez com a seguinte temática: “Educação, cultura, tecnologia e espaços abertos para idosos: inclusão, pertencimento e participação social”. Participaram os professores da UENF, Rosalee Istoe, Eliana Crispim e Carlos Henrique Medeiros.

A programação prosseguiu nesta quinta-feira, 30/07/26, com grupos de trabalho na parte da manhã; e, à tarde, dança circular com alunos da UNATI; e mais duas mesas-redondas.

Nesta sexta-feira, 31/07/26, o evento terá mais grupos de trabalho pela manhã, de 9 às 12 horas; e à tarde mais uma mesa-redonda, às 14h20; uma palestra, às 15h50; e o encerramento das atividades com entrega de certificados a partir das 16h40.

O I LongeViver 2026 e o IV CONASEH são uma realização da UENF, do Centro de Ciências do Homem (CCH), do Programa de Pós-Graduação em Cognição e Linguagem (PPGCL), da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (ProPPG), Pró-Reitoria de Extensão (ProEx), da Universidade Aberta da Terceira Idade (UNATI) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Confira a programação completa abaixo:


(Jornalista: Wesley Machado — Fotos: Clara Freitas — Ascom UENF)

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