Rádio UENF aborda nova tecnologia para armazenamento de produtos vegetais

Com o objetivo de aumentar a vida útil das frutas, pesquisadores da UENF vêm desenvolvendo uma nova tecnologia para o armazenamento de produtos vegetais: a Atmosfera Controlada Dinâmica. Para falar sobre o assunto, o Programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’ desta quarta-feira, 20/05/26, recebeu o professor Jurandi Oliveira, do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV), que coordena as pesquisas.

O professor explicou que o método da Atmosfera Controlada — já conhecido — retarda o processo natural de amadurecimento a partir da redução da concentração de oxigênio no local de armazenamento dos frutos. A diminuição de oxigênio reduz a respiração do fruto, interferindo nos processos metabólicos associados .

— O método de Atmosfera Controlada Dinâmica, que estamos desenvolvendo, trabalha a redução de oxigênio mas não de forma fixa, constante. Por exemplo, saio de uma concentração de 21% para 3%, mas o produto não fica armazenado a 3% de oxigênio o tempo todo. A gente vai aumentando de acordo com a demanda do produto a essa maior concentração de oxigênio — explicou.

Segundo informou, um projeto piloto está sendo desenvolvido no Laboratório — utilizando câmaras de armazenamento com três ou quatro frutos. A expectativa é de que, em breve, o projeto possa ser ampliado para uma escala maior — a princípio, caixas com cerca de 20 frutos e, posteriormente, câmaras com dezenas de caixas. A pesquisa tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

— Temos que fazer com cuidado e controle, porque, se abaixar demais o oxigênio, a fruta pode entrar em processo de fermentação. O diferencial da nossa técnica é como vai ser feito esse aumento na concentração de oxigênio. Tudo isso é feito baseado em trabalhos anteriores da equipe, que estão dando sustentação para o desenvolvimento desta tecnologia — disse.

A tecnologia pode ajudar no enfrentamento ao desperdício de alimentos, cujas taxas são altas não só no Brasil quanto no mundo. Ele informou que de 40 a 60% da produção agropecuária mundial acaba sendo desperdiçada. No Brasil, o desperdício de vegetais é de 50 a 60% da produção. Segundo o professor, de 20 a 30% seria perdido na fase de manejo entre a colheita e o consumo.  É justamente aí que a tecnologia pode ajudar.

— Se 50% dos produtos de origem vegetal se perdem, quando eu consigo evitar essa perda tenho 50% a mais de produtos para comercializar. E quanto maior a quantidade de produtos, menor o preço — disse.

Jurandi destacou ainda os benefícios ecológicos da tecnologia que vem sendo desenvolvida. Isso porque, ao diminuir o desperdício, também se reduz a necessidade mais plantações — e, consequentemente, de mais áreas agricultáveis.

— Além de baratear o custo do alimento, estamos evitando que a fronteira agrícola chegue em áreas de reserva, de modo que seria prejudicial a todo mundo — disse.

O programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’ tem a apresentação do comunicador Giu de Souza e vai ao ar todas as segundas, quartas e sextas-feiras, das 11h às 12h, na Rádio UENF 87,1FM (AQUI).

Saiba mais sobre a pesquisa AQUI.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: Lívia Gimenes – ASCOM / UENF)

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