UENF: um polo de geração de startups de base tecnológica no estado do Rio de Janeiro

Diretor da AgiUENF, Gonçalo Apolinário, concedeu entrevista à Rádio UENF nesta sexta-feira

Gonçalo Apolinário de Souza Filho com Giu de Souza

O diretor da Agência de Inovação da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (AgiUENF), professor e pesquisador Gonçalo Apolinário de Souza Filho, foi o convidado desta sexta-feira, 17/07/26, do quadro “Bom Dia UENF Entrevista”, da Rádio UENF 87.1FM.

Gonçalo explicou como a UENF vem se caracterizando no estado do Rio de Janeiro como um polo de alta concentração de pessoas empreendedoras.

— O estudante desenvolve uma pesquisa dentro do seu laboratório da UENF, sob supervisão de um orientador, e essa pesquisa pode gerar uma solução tecnológica a ser oferecida ao mercado. Então, este estudante propõe a criação de uma startup e passa a buscar investimento. Para isto existe o programa Doutor Empreendedor- FAPERJ, dentre outros, como o programa Startup Campos, da Prefeitura de Campos. Nos últimos cinco anos surgiram mais de 35 startups na UENF — informou.

O professor, que leciona disciplinas de empreendedorismo na graduação e na pós-graduação da UENF, destacou duas situações que representam oportunidades para o desenvolvimento tecnológico regional:.

— Primeiro é a alta disponibilidade de profissionais qualificados, ainda não aproveitada pelo sistema. Segundo, a carência do nosso sistema de produção por modernização tecnológica. Atualmente, as empresas ainda não contratam mestres e doutores, por não vislumbrarem o poder que a tecnologia e o conhecimento têm para seu desenvolvimento — disse.

De acordo com Gonçalo, muitas vezes o empresário é aquele indivíduo que prosperou no seu formato de negócio sem frequentar a universidade. Portanto, não valoriza a tecnologia, a inovação e o conhecimento e, consequentemente, sua empresa vai ficando obsoleta.

— A academia não consegue absorver tantos doutores e mestres. Mas se cada jovem empreendedor contratar mais três ou quatro doutores para trabalhar na sua empresa, resolvemos o problema da não absorção de mestres e doutores. E a gente já começou a ver resultado disso. Nós temos hoje aqui na UENF, startups rodando com 12, 13 pessoas, lideradas por um doutor — exemplificou.

O professor exemplificou que, da primeira turma de empreendedorismo, a aluna Mariana Leandro terminou o doutorado na UENF e, juntamente com colegas da Unicamp, criou uma startup com 10 milhões de investimento, que está lá em Florianópolis.

— Mariana voltou no mesmo ano e contratou a Daniele, que defendeu mestrado. No ano seguinte, voltou e contratou Francis Ney, que defendeu doutorado. Depois, contratou Kézia, que defendeu doutorado em Bioinformática. Depois, contratou Karine, que defendeu mestrado e agora acabou de contratar Sara, que defendeu doutorado. Isso mostra que, quando a universidade investe e a sociedade investe para que um jovem crie uma empresa de tecnologia, gera emprego para muitos outros mestres e doutores qualificados — declarou.

Em outro momento, o pesquisador destacou que o idealizador da UENF, Darcy Ribeiro, fundou a “Universidade do Terceiro Milênio” com a missão de ser a “Universidade da Ciência” para transformar a realidade da região Norte-Fluminense.

— Eu fui um daqueles que acreditaram na proposta de Darcy, de vir para cá, fazer um ensino e pesquisa de qualidade, mas também mudar a realidade socioeconômica da região, que precisa de emprego e renda e eu penso que a inovação tecnológica é o principal caminho, especialmente quando se tem uma universidade de alta qualidade como é a UENF – afirmou.

Para Gonçalo, o Norte-Fluminense tem vantagens e demandas muito peculiares.

— Temos um Porto enorme, que pode ser explorado, a Agricultura sendo revitalizada com plantações de soja e eucalipto, a Pecuária, a Cerâmica, a exploração de rochas, estas que precisam ser modernizadas. Temos um potencial grande. Se desenvolvermos as tecnologias corretas, esta região pode ocupar a vanguarda econômica do país — projetou.

Segundo o pesquisador, o Brasil é um país que se orgulha de dizer que o seu povo é muito criativo, mas não tem a cultura de depositar patentes.

— O problema disso é que uma invenção, uma ideia revolucionária, que não for registrada, que não for escrita, nem descrita, se ela não for levada a termo, ela morre junto com quem pensou. Esse é o primeiro problema. O segundo, se ela não foi descrita, outros inventores não poderão se basear nela para criar novas soluções — considerou.

O diretor da AgiUENF também incentivou à comunidade uenfiana, formada por pesquisadores, técnicos e estudantes, e que têm mentalidade empreendedora e uma ideia que consideram inovadora para que enviem um e-mail para patentes@uenf.br ou acessem o link abaixo: https://uenf.br/reitoria/agenciainovacao/assessoria-de-patentes/formularios-de-notificacao-de-invencao/

Serviço – O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, de 11h às 12h.

A equipe da Rádio UENF 87.1FM tem a seguinte formação: Locutor: Giu de Souza / Produção: Giovanna Toledo e Thábata Ferreira / Suporte técnico: Thiago Henriques / Cobertura para redes sociais, fotos e vídeos: Lívia Guimenes, Raquel Carvalho, João Marcos Félix e Giulia Maia.

A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM do Dial, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=hoostcomv2.oawghldq).

A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.

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(Jornalista: Wesley Machado — Foto: Lívia Guimenes — ASCOM UENF)

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