Iniciativa faz parte do projeto de extensão ‘Do Plástico ao Microplástico’, coordenado pela professora Maria Cristina Canela, do LCQUI

O projeto de extensão “Do Plástico ao Microplástico”, coordenado pela professora Maria Cristina Canela, do Laboratório de Ciências Químicas da UENF (LCQUI), acaba de realizar a instalação de um novo ponto de coleta de tampinhas plásticas no Restaurante Universitário da Universidade (RU). O coletor foi instalado na última sexta-feira, 07/03/26, com o objetivo de facilitar a participação da comunidade universitária em uma iniciativa que une reciclagem, educação ambiental e impacto social.
Criado em agosto de 2023, o projeto tem como principal missão conscientizar a população sobre os impactos do plástico e do microplástico no meio ambiente. Para isso, são realizadas palestras de educação ambiental em escolas e eventos, nas quais são discutidos temas como o descarte correto de resíduos, os riscos da poluição plástica e atitudes que contribuem para a preservação ambiental.
A coordenadora do projeto explica que a iniciativa surgiu a partir de uma preocupação antiga com os impactos ambientais causados pelo plástico.
— Eu sempre me preocupei com a reciclagem, o uso consciente de materiais e, principalmente, com os efeitos do plástico no meio ambiente. A partir da pandemia, comecei a participar de uma rede de químicos ambientais no Brasil que discute a presença de microplásticos no ambiente, e isso fortaleceu ainda mais essa preocupação — afirma a professora Maria Cristina Canela.
Além das atividades educativas, o projeto também promove ações práticas que incentivam a reutilização de materiais. Entre elas está a confecção de brinquedos com materiais recicláveis, que são apresentados em feiras e exposições. A iniciativa demonstra, de forma criativa e acessível, como os resíduos podem ganhar novos usos, estimulando a reflexão sobre consumo consciente e sustentabilidade.
Segundo a professora, o projeto também está diretamente ligado às pesquisas desenvolvidas na universidade.
— Nós pesquisamos a presença de microplásticos em águas, sedimentos de rios e lagoas e também em peixes. Justamente por isso, queremos atuar para diminuir o aporte desses plásticos no ambiente — diz a professora, que coordena o projeto de pesquisa “ECOS — Educação para uma costa sana: do indesejável ao sustentável nas lagoas, restingas e praias do Norte Fluminense”, financiado pela Faperj.

Novo ponto de coleta no RU
A instalação do coletor no Restaurante Universitário procura aumentar o alcance da campanha de arrecadação de tampinhas plásticas de garrafas PET. Por ser um espaço de grande acesso dos estudantes, servidores e visitantes, o RU se torna um local estratégico para maior participação da comunidade.
Depois da coleta, as tampinhas são enviadas para um centro de reciclagem, e o valor arrecadado com a venda do material é destinado a ações de apoio à alfabetização de crianças em situação de vulnerabilidade social, através da Obra Social Santa Bernadette de Soubirous, localizada no Parque Imperial, que também recebe apoio do projeto de extensão.
— Os microplásticos podem ser confundidos com alimento por animais, causando sérios impactos à fauna. Já os microplásticos entram com mais facilidade nos organismos vivos e hoje sabemos que até nós podemos ingeri-los indiretamente — destaca Maria Cristina.
Com o novo coletor, o projeto passa a contar com três pontos de arrecadação na UENF: Casa Ecológica da UENF, Prédio do CCT (Centro de Ciência e Tecnologia) e Restaurante Universitário (RU) – instalado em 07/03.
Equipe do projeto
O projeto tem a participação de bolsistas que atuam nas ações educativas, na divulgação e na organização das campanhas de coleta. A equipe conta com: Bruna e Lívia, bolsistas da pós-graduação, e os bolsistas Filipe, Ester, Raquel, Kawanna e Leonarda.
Com iniciativas que unem educação, sustentabilidade e solidariedade, o projeto “Do Plástico ao Microplástico” convida toda a comunidade universitária a participar. A colaboração é simples: basta separar e depositar tampinhas plásticas nos coletores disponíveis, contribuindo para reduzir resíduos e apoiar ações sociais.
Segundo Maria Cristina, os resíduos de plásticos maiores, chamados macroplásticos, normalmente são confundidos com alimentos nos ambientes marinhos e até terrestres, podendo causar a morte da fauna, além de outros problemas. O mesmo acontece com os microplásticos, que podem ser gerados a partir dos macro e também acabam tendo uma via de entrada mais fácil nos organismos vivos.
— Hoje em dia, nós mesmos, de forma indireta, acabamos ingerindo estes microplásticos. Alguns efeitos já têm sido identificados, principalmente porque estes microplásticos podem conter também aditivos ou então serem transportadores de poluentes absorvidos em sua superfície — conclui.



