Preservação da Mata Atlântica em pauta na Rádio UENF

Programa Bom Dia UENF Entrevista da última quarta-feira, 15/04, ouviu a professora Claudete Santa Catarina e o doutorando Mateus Santana Rodrigues, que atuam em pesquisas voltadas para a recuperação de árvores nativas da Mata Atlântica

Nos laboratórios da UENF, vem surgindo uma esperança para a recuperação de árvores nativas da Mata Atlântica. Quem está à frente das pesquisas é a professora Claudete Santa Catarina, do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF. Na última quarta-feira, 15/04/26, ela falou sobre o assunto no Programa Bom Dia UENF Entrevista, ao lado do doutorando Mateus Santana Rodrigues.

Coordenadora do Programa de Pó-Graduação em Biotecnologia Vegetal da UENF, Claudete disse que a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado de extinção no país. A estimativa é de que exista apenas de 12% a 14% da mata.

— A Mata Atlântica, por estar na costa litorânea, foi o bioma mais impactado. E o que sobrou está muito fragmentado. São pedaços pequenos e isolados, como se fossem ilhas, e isso tem todo um impacto na restauração e conservação das espécies — afirmou.

O grupo de pesquisa coordenado por Claudete vem trabalhando com espécies como  Jequitibá Rosa, Jacarandá da Bahia, Cedro Rosa, Pau-Brasil, entre outras. Segundo ela, a escolha das espécies é baseada na ameaça de extinção.

— Verificamos o quanto a espécie tem dificuldade de propagação por métodos convencionais e o quanto ela está em número reduzido na natureza. Para nós, o Jequitibá Rosa, que produz madeira de alta qualidade, é o que corre maior risco de extinção no momento.

Ela ressaltou que o uso de técnicas biotecnológicas, como a cultura de tecido de plantas, permite a propagação a partir de um segmento da planta. Com isso, é possível produzir um número maior de mudas.

— E a gente também trabalha com sementes. A partir de uma semente que formaria uma planta a gente consegue de duas a quatro plantas a mais. Isso parece pouco, mas se levarmos em conta que estamos duplicando ou quadriplicando o potencial de fabricação de mudas, isso é muito significativo — disse.

A técnica ajuda a enfrentar a dificuldade em conseguir sementes destas espécies. Além disso, também é muito difícil produzir mudas destas plantas através do método de estaquia — o qual se baseia no enraizamento de galhos da planta.

— As plantas arbóreas não enraízam facilmente com a estaquia. A partir da cultura de tecidos, é possível produzir uma quantidade maior de mudas e, ao mesmo tempo, rejuvenescer esse tecido. Ele fica um pouco menos lignificado, tem menos formação de madeira, que é lignina, e isso facilita mais o enraizamento — explicou.

Claudete informou que a reprodução destas espécies é muito dificultada em virtude da fragmentação da floresta. Grande parte das espécies depende de fecundação cruzada, ou seja, necessita de outras plantas para que ocorra a polinização e o processo de formação da semente. Além disso, as plantas arbóreas que estão mais ameaçadas produzem sementes a cada dois anos e, muitas vezes, essas sementes têm uma baixa taxa de germinação.

— Isso ocorre porque não houve a formação do embrião, ou seja, não aconteceu a polinização adequada. Um exemplo é a peroba do campo, que está na entrada da UENF. Trata-se de uma espécie endêmica da região. Fizemos uma análise com ela e, de cada 1000 sementes, apenas 300 germinaram. As outras não tinham embrião viável — disse.

O doutorando Mateus Santana Rodrigues contou que sua pesquisa é voltada para o Jacarandá da Bahia, uma espécie em extinção que tem grande uso na indústria madeireira. Suas pesquisas utilizam a técnica da micropropagação.

— Utilizamos fragmentos da planta. A gente inocula em frascos com um meio de cultura que induz o desenvolvimento de brotações, e aí a gente consegue propagar em larga escala. Meu objetivo é tentar otimizar esses protocolos de propagação e obter uma maior quantidade de mudas que serão levadas a campo — explicou.

Ele retornou recentemente de um doutorado sanduíche de seis meses na Espanha, no qual foi orientado pelo professor Francisco Javier. Durante este período, Mateus aprendeu a quantificar as enzimas associadas ao estresse oxidativo nas plantas. Este ocorre quando a planta é cortada e inoculada nos frascos, gerando a produção de moléculas que, em altas concentrações, podem ser tóxicas, levando à morte do tecido vegetal.

— Ainda assim, a planta tem um sistema antioxidante muito bem regulado. Existem outras moléculas, enzimas, que vão amenizar esse estresse. Então eu consegui quantificar essas enzimas e entender um pouco mais esse processo — contou.

Claudete ressaltou a importância deste tipo de interação com outras universidades do exterior. Segundo afirmou, é fundamental para os grupos de pesquisa, pois permite a troca de conhecimentos e da acesso a diferentes estratégias, tecnologias de pesquisa científica que permitem aprimorar as pesquisas.

— Isso nos permite estar sempre na fronteira do conhecimento. E o que é essa fronteira? É o que há de melhor, de mais novo para ser estudado dentro do que a gente está tentando solucionar.

O Programa Bom Dia UENF Entrevista, apresentado por Giu de Souza, vai ao ar todas as segundas, quartas e sextas, às 11h, pela Rádio UENF 87,1FM.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM/UENF)

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