Livro sobre Ecologia Marinha tem participação de pesquisadores do LCA/UENF

Assim como os continentes, os oceanos abrigam uma infinidade de seres vivos, cuja preservação é fundamental para o equilíbrio do planeta. O livro “Ecologia Marinha”, lançado recentemente pela Editora Interciência e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), faz um mergulho nesse mundo por vezes desconhecido da maioria da população, trazendo informações científicas sobre os mais diversos ecossistemas marinhos.

Organizado pelos pesquisadores doutores da UFF Renato Crespo Pereira e Abílio Soares-Gomes, o livro tem a participação, em dois capítulos, de pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (LCA/CBB). São capítulos que abordam os manguezais e os costões rochosos, ambos considerados zonas de transição entre o ambiente marinho e o terrestre.

Intitulado “Ecologia e biogeoquímia de manguezal”, o capítulo 8 tem a autoria dos professores Carlos Eduardo de Rezende (LCA/UENF), Luiz Drude de Lacerda (UFC, diretor da Fundação Cearense de Apoio à Pesquisa-Funcap), Elaine Bernini (UFPB, mestre, doutora e pós-doutora pela UENF), Carlos Augusto Ramos e Silva (UFF), Álvaro Ramon Coelho Ovalle (LCA/UENF) e Glauca Torres Aragon (professora aposentada do LCA/UENF).

Já o capítulo 10, intitulado “Costões Rochosos”, é assinado pelos professores Illana Rosental Zalmon (LCA/UENF) e Ricardo Coutinho (Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira -IEAPM).

O capítulo 8 apresenta, entre outras informações, aspectos da biologia, ecologia, distribuição e características das principais espécies de árvores de manguezais que ocorrem no Brasil. Traz ainda aspectos metodológicos, indicando os principais tópicos a serem considerados nos estudos dos manguezais. O capítulo também discute a influência que possíveis mudanças climáticas globais poderão vir a ter na distribuição, estrutura e funcionamento desses ecossistemas.

Já o capítulo 10 descreve as principais adaptações das espécies que permitem a sua existência nos costões rochosos, bem como a distribuição vertical dos organismos bentônicos (que vivem em associação com o substrato de ambientes aquáticos) nesses locais e a sua distribuição na costa brasileira. O capítulo também discute as principais ameaças aos costões rochosos e seus organismos, como, por exemplo, as mudanças climáticas e as pressões antrópicas, dentre outros assuntos.

Com 690 páginas, o livro é dividido em 20 capítulos: Microbiologia Marinha; Plâncton Eucarionte; Nécton: Peixes e Invertebrados; Nécton: Mamíferos, Aves e Répteis; Praias; Estuários; Lagunas Costeiras; Manguezais; Plataformas Continentais; Costões Rochosos; Recifes Biogênicos; Ilhas Oceânicas; Oceano Profundo; Biogeografia Marinha; Produtos Naturais Marinhos; Ecologia Química Marinha; Recursos Pesqueiros e Pesca; Bioincrustação Marinha; Poluição Marinha; e Conservação Marinha.

A obra  pode ser adquirida aqui.

Costões rochosos: riqueza biológica ameaçada

Estruturas rochosas que se estendem do assoalho oceânico até alguns metros acima do nível do mar, os habitats costeiros bentônicos estão entre os ambientes marinhos mais produtivos do planeta. Contêm uma rica variedade de espécies de grande importância ecológica e econômica, tais como mexilhões, ostras, crustáceos, algas e uma grande variedade de peixes. No livro, os autores chamam a atenção para a vulnerabilidade desses ecossistemas.

“O aumento das atividades marinhas por todo o globo tem sido responsável por alterar a estrutura dessas comunidades não apenas por derrames acidentais de óleo, mas também pela introdução de espécies em regiões nas quais naturalmente não ocorreriam”, afirmam os autores, lembrando da necessidade de que sejam realizados mais estudos sobre estes locais.

Costão rochoso em Barra do Furado (RJ)

De acordo com os autores, os organismos que vivem aderidos ao substrato são utilizados como indicadores de condições ambientais, uma vez que não podem afastar-se da fonte de distúrbio.  “Organismos bentônicos são extremamente sensíveis ao fluxo e à qualidade de matéria orgânica, podendo sofrer alterações no metabolismo, composição e estrutura”, afirmam.

Dentre os impactos antropogênicos em costões rochosos, eles citam a poluição orgânica e industrial, derramamento de óleo, sedimentação em áreas portuárias, captura excessiva (overharvesting), introdução acidental ou intencional de espécies exóticas (via aquicultura, aquariofilia, canais de navegação, bioincrustação ou água de lastro), turismo descontrolado e ainda os efeitos das mudanças climáticas.

“Os ecossistemas costeiros estão entre os mais vulneráveis às alterações provocadas pelas mudanças climáticas, destacando-se as regiões entremarés que têm sofrido mudanças biogeográficas rápidas, maiores que as encontradas em ambientes terrestres”, afirmam.

Brasil tem segunda maior área de manguezal

O Brasil possui a segunda maior área de manguezais do mundo. No entanto, os manguezais brasileiros estão sob crescente pressão de uma combinação de atividades humanas, tais como aumento do desenvolvimento costeiro, agrícola, poluição e aquicultura intensiva. “A maioria desses impactos humanos está sendo potencializada pela mudança climática global”, afirmam os autores do capítulo 8.

Devido à sua localização na interface continente-oceano, os manguezais são ambientes mais propensos a sofrer e responder às pressões resultantes da mudança climática global. Eles funcionam como proteção natural para a linha da costa em casos de erosão e inundação, filtro para sedimentos e poluentes e sequestro e armazenamento de carbono.

Manguezal de Bragança, no estado do Pará

Segundo os autores, os manguezais podem sofrer sérios impactos devido às mudanças climáticas, potencializados pelas atividades humanas nas zonas costeiras. No entanto, estudos realizados nos últimos 25 anos mostraram que, embora haja uma diminuição global da área de manguezais no mundo,  localmente, uma variedade de manguezais está se expandindo como resposta à mudança climática global.

“Em todos os continentes, uma migração em direção aos polos está ampliando os limites latitudinais de manguezais devido a invernos mais quentes, e a diminuição de eventos de baixas temperaturas extremas, enquanto nas baixas latitudes em extensas planícies costeiras, os manguezais estão migrando continente adentro devido ao aumento do nível do mar e intrusão salina, como observado para o nordeste brasileiro”, escrevem.

Os estudos fazem os cientistas acreditar que os manguezais responderão de forma positiva na maior parte de sua área de distribuição. “Porém, em algumas áreas, como ilhas oceânicas baixas, como no Oceano Pacífico e no Caribe, e zonas costeiras restritas, como no litoral sudeste do Brasil, os manguezais provavelmente não sobreviverão”, afirmam.

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