NEABI/UENF lança guia pedagógico e documentário produzido com a comunidade quilombola de Lagoa Fea

A professora Clareth Reis, coordenador do NEABI/UENF (à direita) participou do lançamento

A comunidade do Quilombo de Lagoa Fea, em Campos dos Goytacazes (RJ), recebeu, em 03/07/26, o lançamento do 3º Guia Pedagógico de Educação Escolar Quilombola – Perspectivas Antirracistas e Práticas Emancipatórias e do documentário Arquivo Vivo, dirigido por Vita Evangelista de Azevedo e Maria Clareth Gonçalves Reis (ambos do NEABI – UENF). O evento foi realizado na Escola Municipal Maria Antônia Pessanha Trindade e reuniu moradores da comunidade, educadores, pesquisadores e representantes das instituições parceiras.

As duas produções são fruto do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Escolar Quilombola, financiado pelo Ministério da Educação (MEC) e coordenado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a colaboração de pesquisadores do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), do Instituto Federal Fluminense (IFF), além das universidades UFRJ e UFRRJ, em conjunto com comunidades quilombolas e redes municipais de ensino.

Realizado em diversos territórios do estado do Rio de Janeiro, o curso promoveu formações voltadas à efetivação da Educação Escolar Quilombola, aproximando universidades, escolas e comunidades na construção de práticas educativas que valorizam os conhecimentos, as memórias e as identidades quilombolas.

Em Campos dos Goytacazes/RJ, a formação aconteceu junto às comunidades quilombolas de Lagoa Fea e Sossego, envolvendo educadores, gestores, lideranças comunitárias e pesquisadores em um processo colaborativo que priorizou o diálogo entre a escola e seu território. Ao longo do percurso formativo, foram desenvolvidas atividades que reconheceram os conhecimentos da comunidade como fundamento da prática educativa, fortalecendo a memória, a ancestralidade e as formas próprias de ensinar e aprender presentes nos territórios quilombolas.

O 3º Guia Pedagógico de Educação Escolar Quilombola – Perspectivas Antirracistas e Práticas Emancipatórias reúne parte dessa experiência coletiva. A publicação apresenta reflexões sobre educação escolar quilombola, memória, ancestralidade e território, além de relatos, entrevistas, metodologias, oficinas e práticas pedagógicas construídas em parceria com moradores do Quilombo de Lagoa Fea. O material evidencia que a construção de uma educação antirracista passa pelo protagonismo das comunidades quilombolas na elaboração dos currículos, das práticas educativas e na valorização de suas histórias e saberes.

O evento foi realizado na Escola Municipal Maria Antônia Pessanha Trindade, no Quilombo de Lagoa Fea

A participante do curso e moradora do Quilombo de Lagoa Fea, Lívia Márcia Rodrigues dos Reis, destacou a importância de ver a história da comunidade registrada em uma publicação.

— Nunca imaginei que o nosso Quilombo de Lagoa Fea teria um livro contando a nossa história. Ver nossa cultura, nossa luta, nossas raízes, nossos doces e nossos griôs registrados é motivo de orgulho. Cada página desperta memórias e tradições que jamais podem ser esquecidas. O guia fortalece a identidade quilombola, valoriza a ancestralidade e deixa um legado para as futuras gerações, além de permitir que outros municípios e comunidades conheçam a história de Lagoa Fea — afirma.

O evento também marcou o lançamento do documentário Arquivo Vivo, dirigido por Vita Evangelista de Azevedo e Maria Clareth Gonçalves Reis. Produzido a partir das experiências vividas no Quilombo de Lagoa Fea durante o curso, o filme reúne registros das vivências, das rodas de conversa, dos saberes compartilhados e das histórias narradas pela comunidade. Mais do que documentar um processo formativo, Arquivo Vivo propõe o audiovisual como um exercício de escuta e de construção coletiva da memória, compreendendo as imagens como sementes capazes de preservar aprendizagens, fortalecer identidades e manter vivos os vínculos entre ancestralidade, território e educação.

Com carga horária de 180 horas, o Curso de Aperfeiçoamento em Educação Escolar Quilombola foi desenvolvido entre fevereiro e novembro de 2025, combinando aulas presenciais, oficinas, experiências práticas nos territórios, rodas de conversa e a produção de materiais didático-pedagógicos. Segundo a professora Gizelya Morais, integrante do NEABI-UENF e responsável pelo Módulo III do curso, “o envolvimento da comunidade, a acolhida e a vontade do fazer apresentada tornaram este trabalho possível. Não é por acaso que há um belo e rico material produzido e sendo lançado”.

Foi um momento de celebração, de tornar público um trabalho realizado em parceria com comunidade quilombola, diretoria e integrantes da escola, Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (SEDUTC) e instituições de ensino superior e técnico. Parcerias necessárias para que a Educação Escolar Quilombola se materialize, de fato! — afirma a professora Clareth Reis, coordenadora do NEABI – UENF e pesquisadora responsável pelo curso na E. M. Maria Antônia Pessanha Trindade (Quilombo Lagoa Fea).

Segundo Clareth, o lançamento do guia pedagógico e do documentário reafirma o compromisso da universidade pública com a extensão universitária e com a construção compartilhada do conhecimento, evidenciando a importância do diálogo entre instituições de ensino e comunidades tradicionais para o fortalecimento da Educação Escolar Quilombola e das políticas de valorização dos territórios, das memórias e dos saberes quilombolas.

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