Programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’ aborda 14 anos do NEABI

O Programa Bom Dia UENF Entrevista desta sexta-feira, 17/04/26, — veiculado pela Rádio UENF 87,1 FM — abordou os 14 anos do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da UENF (NEABI). A entrevistada foi a pedagoga, mestre e doutora em Educação, Maria Clareth Gonçalves Reis,  professora do Laboratório de Estudos de Educação e Linguagem do Centro de Ciências do Homem da UENF (LEEL/CCH), que coordena o NEABI.

A programação de aniversário será realizada nos dias 28 e 29/04/26 (terça e quarta-feira), tendo como tema “Equidade e Direitos em Defesa de Populações Negras e Indígenas”. Na entrevista, Clareth explicou o porquê da escolha deste tema:

— Essa questão dos direitos, para nós, é muito forte. Temos desafios, porque nossas conquistas estão sempre sendo perseguidas ou mal entendidas, principalmente quando se trata de ações afirmativas. Então temos que ficar em vigília o tempo inteiro, senão as pessoas vão tentando minar conquistas de muitos anos — disse.

Ela destacou a abertura do evento, com convidados, às 18h de terça-feira. Em seguida, haverá apresentação cultural do Mestre Peixinho, que atua no projeto de capoeira da UENF há 30 anos. Outro destaque ocorre na quarta-feira, às 18h, quando haverá apresentação das Mulheres Jongueiras do Quilombo Lagoa Feia.

— E às 19h, teremos a mesa de debate sobre o tema do evento, no qual estarão presentes duas convidadas. Uma vai tratar da questão étnico-racial, que é a Joanelisa, da Rede Pública Municipal da cidade do Rio de Janeiro. E a outra é a professora doutora Sandra Benites, que é guarani e atua como diretora de Artes Visuais da Funarte — informou.

Veja a programação completa AQUI.

Segundo Clareth, o NEABI/UENF começou em 2012 com um projeto aprovado pela Faperj e coordenado pelo professor Leandro Garcia — que já não está mais no Núcleo. Atualmente, além de Clareth, o NEABI tem a participação dos professores Lílian Sagio e Nilo de Azevedo, todos do CCH/UENF.

— Hoje nossa missão principal é contribuir para a implementação do Artigo 26-A da LDB 9.394/1996, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica. É um desafio muito grande — disse, lembrando que o Núcleo integra a Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros (as) (ABPN).

A professora informou que o NEABI/UENF também faz parte de uma comissão e um consórcio interinstitucional que congrega todas as instituições de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro e que tem por objetivo criar formas de ingresso diferenciadas para pessoas quilombolas e indígenas.

— Para nós da UENF é muito importante pensar nessa política diferenciada, tendo em vista que o número de indígenas e pessoas quilombolas estudantes é ínfimo. Ano passado, tínhamos apenas três estudantes que se autodeclararam indígenas e um só quilombola. Sendo que o Norte Fluminense é o lugar que mais agrega comunidades quilombolas, com 15 unidades certificadas — disse.

Clareth ressaltou que, na construção dessa política diferenciada, foram feitas escutas nas comunidades quilombolas e indígenas da região para saber quais os seus anseios. Ela informou que no ano passado houve um encontro com representantes da comissão para a consolidação dos dados de um fórum também realizado em 2025.

— Neste fórum, tivemos vários indígenas e quilombolas, então foi bastante representativo. No momento, estamos construindo a política a partir de todos esses elementos que foram agregados, tanto nas comunidades quanto nessa reunião que houve aqui na UENF — disse.

A professora ressaltou que é a representante da UENF no Fórum Nacional de Comissões de Heteroidentificação. Além disso, o NEABI participa do Fórum Nacional de Ações Afirmativas, composto por todas as instituições de ensino superior do Brasil, incluindo universidades estaduais, federais e institutos federais.

Durante a entrevista, Clareth destacou também o protagonismo do NEABI no processo de implantação das Bancas de Heteroidentificação na UENF. Segundo afirmou, o processo começou com a atuação do NEABI junto à Reitoria da Universidade.

— Eu ouvia falar de denúncias de fraudes que chegavam à Ouvidoria da UENF, porque a Universidade aceitava qualquer pessoa que se declarasse negra. Fui estudar mais a lei, entender, até que, em 2022, organizamos um grupo na UENF e fomos à Reitoria falar sobre a necessidade de implantação das Bancas. Ficamos esse ano inteiro debatendo o tema, até que no final do ano conseguimos publicar uma Resolução junto com a Reitoria, todos juntos trabalhando nisso. A resolução foi aprovada e em 2023 começou a entrar em vigor. Posteriormente, organizamos um curso de formação para as pessoas atuarem, trazendo especialistas do Brasil inteiro — contou.

Outro tema abordado durante a entrevista foi o dossiê que o NEABI publicou em 2022, trazendo artigos, entrevistas e relatos de experiências dos participantes do NEABI. O dossiê é o resultado das pesquisas realizadas pelo Núcleo. Além de Clareth, o dossiê teve como organizadores os professores Lília Sagio (UENF), Eduardo Quintana (UFF/Pádua) e o então pós-graduando Valdelilo Melo.

O dossiê foi publicado em maio de 2022 na Revista da ABPN e intitula-se “Dossiê Temático ’10 Anos do NEABI da UENF: Produção de conhecimentos e outras possibilidades no combate ao racismo estrutural’.

Veja o Dossiê AQUI.

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