Projeto selecionado pelo Mais Ciência aproxima pesquisa da UENF da Defesa Civil e propõe monitoramento preventivo de pontes em áreas urbanas e rurais.

A dificuldade de acompanhar as condições das pontes em um município com território extenso como Campos dos Goytacazes foi uma das motivações para o professor Paulo Maia implementar sua pesquisa. Com o título “Monitoramento Inteligente e Gestão de Vulnerabilidade Estrutural de Pontes em Campos dos Goytacazes: Uma Abordagem Baseada em Crowdsourcing e Inteligência Artificial”, a pesquisa propõe uma metodologia de monitoramento contínuo das estruturas, combinando informações enviadas pela população, georreferenciamento e inteligência artificial para identificar possíveis riscos e orientar as prioridades de intervenção.Selecionada para o ciclo 2026/2027 do Mais Ciência, programa de incentivo à iniciação científica da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), a pesquisa de Paulo aproxima o conhecimento produzido na UENF de uma demanda concreta da administração municipal. Ao participar do Mais Ciência, o projeto passou a estar associado à Defesa Civil municipal, fazendo com que a pesquisa acadêmica coloque a infraestrutura de pontes dentro de uma perspectiva de gestão de risco, prevenção e apoio à tomada de decisão pública.
Com esta associação, a pesquisa parte de um desafio que ganha dimensão ainda maior nas áreas rurais. Segundo Paulo Maia, problemas em uma ponte podem comprometer o deslocamento de moradores e serviços essenciais.
— Em áreas rurais, o colapso de uma ponte pode isolar comunidades e provocar desvios médios de 40 km, prejudicando o transporte escolar e a produção agrícola. A proposta é substituir uma atuação predominantemente corretiva por uma estratégia preventiva e contínua — aponta.
Uma das frentes do projeto é o crowdsourcing, modelo que transforma a população em parceira do monitoramento. Por meio de uma futura plataforma ou site georreferenciado,qualquer pessoa que utilize as pontes poderá registrar uma situação que considere irregular sobre o comportamento da ponte durante a passagem de veículos.

— Essas pessoas poderão enviar fotos do local, panorâmicas e detalhadas, além da localização exata via GPS e uma breve descrição do comportamento da ponte sob o tráfego. Isso expande a capacidade de acompanhamento das estruturas rurais e urbanas do município. O crowdsourcing permite que a própria população atue como parceira na fiscalização do território — afirma o pesquisador.
As informações coletadas serão submetidas à ferramentas de inteligência artificial, que deverão auxiliar na separação entre alterações sem relevância estrutural e sinais que podem indicar problemas de engenharia. Paulo Maia explica que a tecnologia poderá diferenciar ocorrências simples, como grafites e umidade, de problemas estruturais, como fissuras de flexão, que são rachaduras causadas pela deformação da estrutura. Também poderá identificar armaduras expostas, quando as barras de aço que reforçam o concreto ficam visíveis, e erosão de taludes, provocada pelo desgaste do solo nas áreas inclinadas próximas às pontes. Quando identificada uma possível patologia, o sistema poderá emitir um Alerta Preliminar de Nível 1, indicando a necessidade de avaliação presencial por uma equipe técnica.

A proposta prevê ainda uma etapa de avaliação em campo. A partir dos alertas, os técnicos poderão utilizar formulários padronizados para registrar a situação das estruturas. Esses dados serão cruzados com a importância social da via, considerando fatores como transporte escolar, escoamento da produção agrícola e possibilidade de isolamento de comunidades. O objetivo é chegar a um Índice de Prioridade de Intervenção, capaz de ajudar os gestores a direcionar equipes e recursos para os casos mais urgentes.
— Como produto final, a pesquisa pretende entregar uma metodologia estruturada para o monitoramento e gerenciamento de risco das pontes, incluindo a arquitetura do sistema, um protocolo de triagem via crowdsourcing e formulários de avaliação rápida normatizados — explica Paulo Maia.
A expectativa é que a metodologia desenvolvida possa futuramente subsidiar uma plataforma de monitoramento colaborativo e apoiar decisões da Defesa Civil e da Secretaria de Obras. Com isso, Paulo Maia acredita que a pesquisa busca transformar informações produzidas no cotidiano da cidade em dados capazes de contribuir para a prevenção de riscos, o planejamento da manutenção e o uso mais eficiente dos recursos públicos.
(Jornalista: Jorge Rocha – Fotos: Divulgação)



